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Blog do Professor Walter Vicioni Gonçalves

Artigo: As relações possíveis entre o livro e a Educação

Publicado em 15 de julho de 2016 - 17:41h

Leiam o meu artigo inspirado na 16ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto e que foi publicado na Revista Abigraf – Edição maio/junho 2016 

Revista AbigrafUm país se faz com homens e livros, escreveu Monteiro Lobato. E com boa educação. Foi exatamente sobre o tema “As relações possíveis entre o livro e a Educação” que fui convidado a falar no encerramento da 16ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, que aconteceu de 11 a 19 de junho último. Acredito que tal convite tenha decorrido do trabalho que realizo, desde 1970 no SENAI e no SESI. Ao todo, são 337 escolas e duas editoras na minha vida.

Mais do que a oportunidade de venda de livros, tal Feira permite o congraçamento de escritores brasileiros e estrangeiros, que lançam seus livros e participam de sessões de autógrafos e de bate-papos com seus leitores. A cada edição, prestam-se homenagens a um escritor e a um país. Neste ano, todas as homenagens foram para Lygia Fagundes Telles, membro da Academia Brasileira de Letras e para a Colômbia, reconhecida como o país da Biblioteca. E de Gabriel Garcia Marquez, como não lembrar.

Educação é um processo que leva à formação e ao desenvolvimento intelectual, físico e moral de um ser humano, em todo seu potencial. Abrange o conhecimento, valores, crenças, costumes, tradições, linguagens e, sobretudo, a aquisição de uma identidade existencial e profissional. Tem a função de permitir ao ser humano sentir-se parte de um todo maior, de se desenvolver socialmente como indivíduo. De pertencer a um grupo, de fazer parte e de ser chamado cidadão.

Ora, sabemos que a Educação não acontece sem professores bem formados nem tampouco sem livros. O livro é uma das ferramentas fundamentais no processo educacional: ele reúne informações e, formalizando o conhecimento, é um veículo para perenizar a cultura de um povo. O livro é a ferramenta que pode mudar a vida de uma pessoa, que pode, por sua vez, mudar o mundo. E isto não é um clichê. Eventos como a Feira do Livro de Ribeirão Preto nos permitem pensar sobre o leitor e o escritor, os protagonistas no processo da leitura. A formação de leitores ocorre, essencialmente, em três ambientes: em família, na escola, nas bibliotecas, públicas e escolares, espaços de aprendizagem tanto quanto uma sala de aula. Sobretudo se considerarmos os recursos e as funções de uma biblioteca nos dias de hoje. A professora Marisa Lajolo escreveu que Borges se orgulhava mais dos livros que havia lido do que dos que escrevera.

Eu penso que a escola também desperta o escritor. No instante em que um aluno recebe um caderno, um lápis e um livro, suas primeiras ferramentas, nascem juntos, inseparáveis para sempre, leitor e escritor. Ao longo dos anos escolares, o aluno é leitor e escritor ao mesmo tempo; ler e escrever são processos de apreensão da realidade. Feliz a escola que enxerga e estimula o desenvolvimento dessas habilidades. É a escola que dá início à sua formação, ao despertar o interesse do aluno pela literatura, por ler e escrever, tão entrelaçados, que apreciar um, traz o desejo de conhecer o outro. Aliás, um grande desafio é constatar que muitos professores não tiveram, ou não têm intimidade com os livros. Se a escola deve formar leitores, ela deve, também, encontrar maneiras de estimular os professores a apreciarem a leitura. No SESI, por exemplo existem projetos voltados à formação de leitores, tais como o Literatura Viva, a Caixa de Cultura, o Inteligência.com e ainda, o Núcleo de Dramaturgia SESI British Council, para a formação de dramaturgos.

Assim, pensando num projeto educacional mais abrangente, na relevância do livro para o desenvolvimento pessoal e profissional e que o conhecimento construído deve ser compartilhado, lançamos em 2012, as editoras SESI E SENAI, porque nós também acreditamos que livros transformam o mundo. Até agora, são cerca de 600 títulos publicados, 06 Prêmios Jabuti e 16 livros apontados como altamente recomendados pela Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil.

O SESI e o SENAI, assim como a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, são a representação, a síntese de ferramentas maravilhosas inventadas pelo homem: a linguagem, a escrita e o livro, sem as quais a educação não se concretizaria. Como educadores, devemos estimular nossos alunos à leitura, permitir que eles descubram, e quem sabe um dia, escrevam a própria história ou outras histórias. A educação formal, desde a alfabetização, e mesmo a informal, não seriam possíveis sem os livros.

As pessoas dizem que não tem tempo para ler, mas amar e ler a gente rouba do cotidiano. Infelizmente, não conheço o autor desta frase, a quem certamente renderia meus tributos! E como é bom roubar tempo para os bons livros!

Walter Vicioni Gonçalves

Superintendente do SESI-SP e Diretor Regional do SENAI-SP

Sobre

Walter Vicioni é diretor regional do SENAI-SP, superintendente do SESI-SP e diretor da Faculdade SESI-SP de Educação. É membro reeleito do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Foi eleito, em 2018, para ocupar a Cadeira nº 36 da Academia Paulista de Educação.


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