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Blog do Professor Walter Vicioni Gonçalves

Entrevista para o Estado de S.Paulo – WorldSkills 2015

Publicado em 10 de agosto de 2015 - 15:28h

Fui entrevistado pelo jornalista do O Estado de S. Paulo sobre a WorldSkills 2015. A matéria foi publicada neste domingo, 09/08. Acompanhem a reportagem na íntegra.

Ensino profissional enfrenta sua maior prova

Evento reúne jovens de 62 países para escolher campeões mundiais em 50 ocupações e mostrar a relevância da educação técnica para a carreira

Jornal-O Estado de Paulo-Ensino ProfissionalizanteNum País em que carreira costuma ser sinônimo de formação superior, um grande evento internacional que tomará conta do Anhembi de quarta-feira a sábado pretende chamar a atenção para a importância do aprendizado profissional como forma do acesso do jovem ao mercado de trabalho e, mais do que isso, como um caminho seguro para uma carreira bem estruturada. Trata-se da WorldSkills São Paulo 2015, considerada a mais importante competição de educação profissional. Pela primeira vez na América Latina, a 43a edição do evento, promovida em parceria pelo Senai e a WorldSkills, reúne 1.200 competidores de 62 países formados em cursos de profissionalização. Eles disputarão o título de melhor do mundo em 50 ocupações da indústria e do setor de serviços, como mecatrônica, robótica manufatura integrada, manutenção de aeronaves, marcenaria, design gráfico, polimecânica, joalheria, panificação, cabeleireiro e outras.

As provas consistem em executar tarefas do dia a dia da profissão que escolheram. Vencem aqueles que cumprirem as metas nos prazos estabelecidos e com padrões internacionais de qualidade.

Segundo o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, quem faz cursos de educação profissional tem mais chances de conseguir o primeiro emprego. E, a partir daí, construir carreiras estáveis. Ele lembra que mais de 80% dos jovens brasileiros não têm acesso à universidade. “A educação profissional é um caminho para prepará-los para o mundo produtivo e facilitar a entrada no curso superior”, diz.

O diretor do Senai-SP, Walter Vicioni Gonçalves, argumenta que o ensino profissionalizante promove o acesso a uma identidade profissional, “que não precisa ser a de médico, arquiteto, advogado”. E acrescenta: “Mas também dá dignidade”. Para Lucchesi, a educação profissional, mais do que ser apenas um acesso ao mercado de trabalho, é uma preparação para a vida.

Treino intensivo. Medalha de ouro em Design Gráfico na WorldSkills Leipzig 2013, o gaúcho Ricardo Calvi Vivian dá declarações que apontam na direção proposta por Lucchesi. “Uma coisa muito importante foi minha evolução pessoal durante o treinamento (para a disputa). Havia pressão. E depois da etapa nacional, por estar representando o Brasil numa competição internacional, a pressão aumentou bastante, cobram bastante”, conta. Ao superar a adversidade, diz que se sentiu mais maduro e preparado.

“O estilo de vida que eu criei durante o treinamento foi de atleta. Era uma coisa bem regrada e isso me ajudou bastante a amadurecer”, diz Vivian, hoje com 22 anos. “Comecei a perceber a importância de coisas como planejamento.”

Segundo Lucchesi, a WorldSkills promove a educação e a formação profissional como instrumentos de transformação social e econômica.
Pesquisa realizada em 2014 pela CNI em parceria com o Ibope revela que 90% dos entrevistados concordam que quem faz ensino técnico tem mais oportunidades no mercado de trabalho em relação àqueles que não cursam. Para 82%, quem possui o certificado de qualificação garantem o recebimento de salários maiores Foram ouvidas 2.002 pessoas com mais de 16 anos em 143 municípios.

Apesar de os números sugerirem que o brasileiro dá importância a esse tipo de ensino, o Brasil, no entanto, está distante dos países desenvolvidos nesse quesito: aqui, jovens que fazem o ensino médio e profissional são apenas 8,8% do total, ante 76,8% na Áustria, 69,7% na Finlândia, 51,5% na Alemanha e 49,9% se considerada toda a União Europeia.

Ainda assim, o Brasil tem apresentado bom desempenho na competição: coleciona 68 medalhas e 111 certificados. Na última competição, em 2013 em Leipzig, ficou em quinto lugar ao conquistar quatro medalhas de ouro, cinco de prata, três de bronze e 11 certificados de excelência. Na disputa anterior, em 2011, os brasileiros haviam obtido a segunda colocação, assim como em 2007. Em 2009, o País ficou em terceiro.

CEO da WorldSkills São Paulo 2015, Frederico Lamego diz que a competição pretende inspirar o jovem a conhecer todas oportunidades que a educação profissional pode oferecer, mas ressalta que ela também atrai empresários que buscam talentos para suas empresas. “O evento é gratuito, aberto a toda a família e traz o ensino profissional para quem quer construir uma carreira sólida e com diferencial no mercado”, diz.

Crise. Lucchesi, por sua vez, diz que em períodos de crise e queda do emprego, como o atual, não há grandes contratações. No entanto, quem tem qualificação técnica industrial sofre menos o efeito da crise. Para ele, o ensino profissionalizante também contribui para aumentar a produtividade.

Segundo Lucchesi, a WorldSkills exigiu um investimento total de R$ 180 milhões e somente a montagem no Anhembi Parque, onde ocupará 213 mil metros quadrados de área coberta, foram necessários 50 dias. Segundo o Senai, a participação na disputa aproxima os jovens profissionais das modernas tecnologias, promove o intercâmbio de experiências com profissionais de outros países.

Em paralelo à competição, o programa de conferências abordará temas relevantes para a educação profissional. Uma delas, na sexta-feira pela manhã, vai reunir 20 ministros de vários países para discutir o tema: “Século XXI; Iniciativas para promover o ensino técnico e vocacional”.

A delegação brasileira deste ano é a maior já reunida: 56 jovens formados pelo Senai e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), que desde 1983 representam o Brasil na competição. A seleção da equipe brasileira tem início nas escolas de formação profissional. Os melhores alunos são convidados a participar das etapas estaduais da Olimpíada do Conhecimento. Os selecionados nessa fase competem na etapa nacional da olimpíada e os mais bem colocados nessa fase participam das escolhas para o mundial. São selecionados os que atingem índices internacionais de qualidade na execução de tarefas do dia a dia em suas ocupações. Segundo o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, do Ministério da Educação, no Brasil há opções de cursos em 13 áreas tecnológicas. No Senai, são oferecidas 108 opções de cursos nessas, que vão desde a mecânica até a petroquímica e de acordo com a instituição.

Sobre

Walter Vicioni é diretor regional do SENAI-SP, superintendente do SESI-SP e membro do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.


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