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Blog do Professor Walter Vicioni Gonçalves

Gente humilde

Publicado em 5 de maio de 2014 - 10:09h

Este é mais um artigo de minha autoria publicado na Revista Abigraf – Edição Março/Abril 2014. 

MARCO ABRIL2014Tantos índices, indicadores, sistemas de avaliação – Ideb, IDH, Enade e dezenas de outros – ocupam manchetes, principalmente quando revelam resultados pífios do país em termos educacionais, sociais e econômicos. Mas um estudo passa despercebido, sem destaque nos jornais, rádios e televisões. Trata-se da pesquisa Barômetro Global de Otimismo, realizada pelo IBOPE Inteligência em parceria com a Worldwide Independent Network of Market Research (WIN), em 65 países, com 66.806 entrevistados. Irrelevante? De jeito nenhum. Sociólogos, educadores, formuladores de políticas públicas deveriam tomar conhecimento de seus resultados e analisar o que eles revelam.

Para começar, vão encontrar informações alvissareiras. O Brasil ocupa o décimo lugar no ranking dos países mais felizes do mundo. Mesmo que não existissem barreiras, 53% não se mudariam para outro país. Entre os brasileiros consultados, 71% disseram estar satisfeitos com a própria vida, proporção acima da média mundial (60%). Mas também vão conhecer tendências instigantes.  Em 2011 a porcentagem de brasileiros felizes era 76%, cresceu em 2012 para 81%, diminuindo no último ano.

Muitos podem estranhar os bons resultados. Mas se pararem para – não apenas observar –  olhar atentamente as pessoas, vão confirmar o que a pesquisa revela. Temos mazelas, problemas imensos, mas uma capacidade maior ainda de superá-los com esperança e fé no amanhã.

Nesse sentido, podemos ampliar para toda a população a clássica expressão de Euclides da Cunha “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Os exemplos de resistir em situação adversa e de vencer obstáculos aparentemente insuperáveis podem ser encontrados em muitos lares, ruas, bairros, cidades deste país.

O brasileiro é, além disso, um povo gentil. Soube de um caso revelador, ocorrido numa praia de Aracaju. Uma amiga estava tomando sol, quando uma vendedora se aproximou, oferecendo um bronzeador. Ante a recusa de comprar, a resposta foi inesperada. A vendedora agradeceu pela atenção e pelo tempo que se concedeu a ela. Uma resposta de grande sabedoria. O nosso tempo de vida é limitado e um minuto dedicado a dar atenção a alguém é algo precioso.

O brasileiro é, ainda, um povo alegre. Há manifestações espontâneas de festas por todo o país. Danças folclóricas como bumba meu boi, frevo, ciranda e tantas outras passam de pais para filhos, sem perda de colorido, ritmo e animação. São traços culturais marcantes, que precisam ser preservados.

O brasileiro é, também, um povo solidário. São muitas as situações de comoção nacional, o compartilhamento da dor, a solidariedade, a oferta de um ombro amigo. São muitos os imigrantes que aqui chegaram e foram incluídos, tornando-se apenas brasileiros. Em todas as regiões, e em especial no Sudeste e no Sul, pode-se dizer que há um mosaico de povos, que gradativamente foram sendo aculturados e miscigenados.

O brasileiro é, porém, autocrítico. Ao comparar-se com outros povos, vê em si os defeitos e nos demais apenas o lado positivo. E essa atitude é reforçada sempre que notícias dão conta de cidadãos brasileiros que assumem atitudes antiéticas – na busca do “levar vantagem em tudo” – ou mesmo quando é divulgado noticiário de políticos que conseguem a concessão de benefícios para amigos ou parentes. São essas notícias que aparecem frequentemente na imprensa nacional e, até mesmo, internacional.

Mas nós que aqui vivemos e convivemos, que viajamos pelas estradas do país, que conhecemos o jeito de ser e os costumes em cada região, não podemos aceitar a generalização da imagem criada a partir de um recorte da população. Temos que reconhecê-la, analisá-la e ver como enfrentar os desvios existentes, sejam eles relacionados à ética, à violência, à droga, ou a outro fator qualquer.

Antes de tudo, porém, temos que reconhecer e acreditar fortemente na índole do brasileiro. E, então, poderemos nos juntar a três autores – Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Garoto – ao ter “inveja dessa gente, que vai em frente, sem nem ter com quem contar” e concluir pedindo a Deus “por minha gente. É gente humilde, que vontade de chorar…”

 

Walter Vicioni Gonçalves

Diretor Regional do SENAI-SP, Superintendente do SESI-SP e membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo

 

Sobre

Walter Vicioni é diretor regional do SENAI-SP, superintendente do SESI-SP e diretor da Faculdade SESI-SP de Educação. É membro reeleito do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Foi eleito, em 2018, para ocupar a Cadeira nº 36 da Academia Paulista de Educação.


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Walter Vicioni Gonçalves

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Deixe o seu comentário!

  1. Cinthia Queiroz de Araujo disse:

    Fantástico!

  2. Gaspar Teles Nunes disse:

    Após ler o artigo eu gostaria de destacar a música
    Acredito na Rapaziada do Gonzaguinha, que retrata muito positivamente o lado bom dos brasileiros.

  3. João Eduardo Remaeh disse:

    Excelente publicação.

  4. Ronaldo Secco disse:

    De fato é verdadeiro que temos que nos atentar não somente para pesquisas prontas, indicadores e rótulos “sem vida”. Acredito que o brasileiro realmente é um ótimo povo, resguardadas as minorias manipuladas ou mal intencionadas de todas as classes sociais.É muito importante termos uma consciência do macro de todas as coisas mas talvez, em alguns momentos todos devessemos olhar para cada ação isolada enquanto individuo ou sociedade e promover as pequenas mudanças antes de cobrar mudanças maiores. Quando os “alicerces” da ética estiverem enraizados em todos nós como foi a não muito tempo atrás, comecemos a nos sentir orgulhosos por sermos brasileiros independente de maus exemplos, que aliás existem em todos os continentes.

  5. Aristides João Lombardi da Costa Junior disse:

    Temos que agradecer a Deus por ter nascido brasileiro, mesmo com tanta luta, somos um povo feliz , não deixamos a a “peteca” cair.

  6. Tiago Casado disse:

    Há potencialidades, sim, em nossa gente, e todo sentido da educação deve ser o de revelar essas potências de vida, de existência e de esperança (do verbo “esperançar” e não “esperar”). Interessante como a vendedora de bronzeadores surpreende por agradecer o tempo dedicado, sobretudo quando somos circunstanciados pelo tempo relógio (Chronos) e não percebemos a importância do tempo das coisas, da vida (Kairos), que é aquele cujo valor é o “como” e não o quanto. Parabéns pelo texto!

  7. MARAIA JÚLIA VAZ CALVET DE MAGALHÃES disse:

    Muito bom o artigo, aproveito para dizer também que sou imigrante, era estrangeira com residencia permanente e consegui pedir Direitos de Igualdade e agora me considero Brasileira de coração.

  8. Vaneide Correia de Castro disse:

    Prezado Sr. Walter
    Interessante o ponto de vista abordado no artigo. Estou escrevendo uma análise para um curso que frequento na FGV e vou acrescentar a ele algumas informações encontradas em seu texto. No que se refere à qualidade de ensino em nosso país, pelo seu histórico na educação, sei que deve estar sempre atento aos índices apresentados em pesquisas do setor, no entanto, levando-se em consideração o perfil otimista de nosso povo, destacado na importante pesquia descrita no artigo, são eticamente louváveis os esforços de gestores brasileiros que investem na educação e desenvolvimento de pessoas.

  9. Omar Augusto Miquinioty Junior disse:

    Parabéns Profº Walter, belíssima reflexão!!!!
    Vamos valorizar nossa Gente , humilde, calorosa, criativa e feliz!!!
    Abraço.

  10. André Nascimento disse:

    Prof. Walter,

    O texto é ótimo. Faz a gente refletir…

    O dado da pesquisa que demonstra o quanto somos felizes e a certeza do quanto somos gente humilde, gente de fé, também traz a sensação de gente que não acredita mais…

    É preciso acabar com a indiferença dessa gente humilde, de fé e coragem com o rumo do país. Precisamos avançar. Precisamos mudar. Precisamos de educação. Consequentemente acabaremos com esse mal “jeitinho brasileiro”.

    Sem perder a ternura.

    Sucesso!

    André Nascimento
    Sumaré

  11. ROSANGELA MARIA DE ALCÂNTARA SIQUEIRA disse:

    Profº Walter Vicioni

    Me identifiquei com seu artigo e concordo em absoluto com o Sr., principalmente quando diz que nossa vida é breve e um minuto dedicado a dar atenção a alguém, é algo precioso e sábio.
    Tinha o exemplo em casa. Meu marido, falecido a quase 2 anos, nos deixou um exemplo de simplicidade, pureza de coração e amor ao próximo. Era extremamente atencioso com todas as pessoas que cruzavam seu caminho, e fez a diferença na vida de muita gente. Falo dele porque ficou a lição, mas me comovo sempre que me deparo com essa gente humilde. Que vontade de chorar…

    Rosangela

    Assistente Administrativo – Escola SENAI “Santos Dumont”

  12. SEVERINA PEREIRA disse:

    Muito bom este artigo, como sou “gente humilde”, confesso que desconhecia a palavra “alvissareiras”. Obrigada por me ensinar.

    Grande Abraço!

  13. André Luís Martins da Silva disse:

    Gente humilde que está aprendendo a se posicionar, manifestar opinião, contemplar o belo e as virtudes de caráter, ajudar ao próximo, valer-se da autoridade de cidadão para escolher os seus líderes. Tudo isso, sempre com a esperança de um mundo melhor.
    Parabéns pelo artigo, prof. Walter !

  14. João Carlos Coppe disse:

    Muito bom professor, estamos precisando de notícias positivas. Não acredito que esse bombardeio de notícias negativas veiculadas pela imprensa colabore para melhorar a situação. Boas ideias saem de pessoas motivadas e não deprimidas.

  15. Anderson Lindert disse:

    Este artigo remete ao otimismo, característica da essência do brasileiro, por muitas vezes até insensato diante das mazelas, dificuldades e diversidades encontradadas dia à dia no Brasil atual, mas otimismo que nunca podemos deixar morrer, já que nos é fonte inata e preciosa de motivação, principalmente quando consciliado à educação e o trabalho na busca para um ideal.

  16. Andrezza Cristina Furlanetto Zequim disse:

    Parabéns Profº Walter por mais um artigo maravilhoso.

  17. Edmilson José Smaniotto disse:

    A humildade é com certeza uma grande virtude, ela abre as portas para tantas outras. Parabéns pelo artigo.

  18. Maria Etelvina disse:

    Prof. Walter, parabéns !!!

    Realmente somos um povo privilegiado por Deus na capacidade fantástica de ver o lado bom, fazer o bem e contagiar com nossa alegria e positivismo. Amei o artigo !

  19. Luciana Campacci disse:

    Beleza de artigo Prof.
    Realmente “país tropical, abençoado por Deus”!

  20. Heliane disse:

    Texto profundo, tocante e ao mesmo tempo leve…

  21. Gerson Germano Grimas disse:

    Excelente publicação.

  22. José Roberto da Silva disse:

    Prof. Walter Vicioni
    Os menos favorecidos são mais felizes enquanto existir pessoa capacitada, experiente e o mais importante, bem intencionada administrando as instituições responsáveis por gerar emprego, manter a boa saúde e a propiciar segurança dessa comunidade.
    Parabéns pela publicação.

  23. Renato Contin disse:

    Sensacional Prof. Walter, parabéns pela artigo, ainda mais em um momento que a esperança de mudança em “nosso” Brasil fica a cada dia mais enfraquecida.

  24. Edvaldo Antônio de Oliveira disse:

    O povo brasileiro é feliz..forte…gentil…alegre…solidário…autocrítico…criativo…acolhedor…trabalhador…que faz dessa uma grande nação…e vive com esperança e fé no amanhã…!

  25. Vera Lucia Augusto disse:

    Prezado Professor Walter:
    Avalio quantas pessoas como eu tiveram uma infância pobre de bens materiais e ao mesmo tempo tão rica em: brincadeiras, família,escola, cheiros, sabores etc. Isto, ninguém nos tira. Damos valor às minimas coisas que a vida nos oferece, mas sempre buscamos novas conquistas porque somos guerreiros.
    Humildes sim – tristes jamais!

  26. Ines Uehara disse:

    Além de humilde, o povo brasileiro tem muita coragem, acredita e luta por uma vida melhor.
    Viver
    E não ter a vergonha
    De ser feliz
    Cantar e cantar e cantar
    A beleza de ser
    Um eterno aprendiz…
    Gonzaguinha
    Parabéns!!

  27. Ibsen Marques disse:

    A análise vem em momento muito oportuno. Toda a discussão que se estabelece no país, via imprensa, procura nos incutir, para além do processo produtivo da autocrítica, o famoso complexo de vira-latas. Querem nos fazer crer que somos um povo inferior devido ao processo colonizatório que sofremos e à corrupção que permeia nossas instituições. Apesar de todas as mazelas e, talvez em grande parte por conta delas, é que amadureceremos como povo político e apto às melhores escolhas. Nada de retomada de paternalismos, muito em moda nas sugestões que circulam pela internet e redes sociais. Nós temos mesmo muitas coisas pelas quais devemos nos orgulhar e precisamos elevar nosso patriotismo para além de alguns esportes e ídolos. Precisamos, acima de tudo, lutar por um país melhor e mais justo. Devemos construir nosso futuro, ao invés de cobiçarmos e invejarmos o eventual sucesso desse ou daquele povo ou país. Bons exemplos vindos de outros países devem servir como norte e estímulo para crescermos e não como forma acrítica de desestímulo às nossas verdadeiras potencialidades.

  28. Maria Teresa Moura Morais Roson disse:

    Tempos difíceis…Tempo de renovarmos a esperança…

  29. Aline Luz do Nascimento disse:

    Professor,
    Texto excelente e representativo!!! Povo que tem esperança de dias melhores….
    Parabéns.

  30. Eniceli Rodrigues Moraes Pinto disse:

    Quanta sabedoria demonstrada em tão poucas linhas!
    A exemplo do seu texto do ano de 2013 em homenagem ao Dia dos Professores, suas palavras alcançam o fundo da alma.
    Parabéns!!!

  31. Salete Brisighello disse:

    Prof. Fico feliz ao ler seu Artigo. De um brasileiro incrivelmente sensível e culto. Me sinto honrada em trabalhar numa Instituição liderada por profissional como o senhor.

  32. Fernando Foglia disse:

    Muito bom

32 Comentários para "Gente humilde"