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Blog do Professor Walter Vicioni Gonçalves

Mensagem de Natal 2015

Publicado em 4 de dezembro de 2015 - 16:17h

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Infância: Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se “Agora”.

Guilherme de Almeida

 

Caros companheiros,

A vida de cada um é uma história diferente da história dos outros. Mas a minha infância também teve gosto de amora comida com sol. Além de amoras, havia a escola, com professores com quem aprendi a ler e escrever, códigos que me levaram a descobertas surpreendentes. Havia o tio Armando, que me estimulava a estudar e a gostar dos livros. Meu pai, que trabalhava muito para nos garantir o sustento e, sobretudo, havia minha mãe, minha grande heroína, alegre, sorridente e determinada, meu exemplo e inspiração em todos os dias de minha vida.

E havia o Natal, que chegava de mansinho, trazendo com as uvas e as mangas maduras, esperança ao coração dos homens e alegria ruidosa às crianças. Nós enchíamos meias com capim e as colocávamos na janela: o capim era para as renas do Papai Noel que, em troca, nos deixaria presentes. O Natal era celebrado na casa de meus avós maternos e o 1º do Ano, nos avós paternos. Meus verbos só tinham tempo presente.

Além de estudar, gostava de praticar esportes e meu favorito era a natação. Participava de competições e gostava de vencer. Esforçava-me para ser o melhor nos esportes e na escola. Jovem, era racional e determinado, tinha ambições e sonhos que acalentava com deferência. Enquanto os amigos faziam planos para continuarem em Casa Branca ao final dos estudos, eu ansiava por conhecer o mundo, tornar-me alguém reconhecido e destacado, talvez sem saber o que isso significava precisamente nem quanto custava. Penso que a doçura das crianças e dos jovens decorra justamente disso. Naqueles tempos adolescentes eu nada temia e, na minha mente, o futuro distante ocupava um espaço imenso, como as imagens na tela cinemascope do Cine Casa Branca.

Diferentemente de Drummond, que perdeu o bonde e a esperança, certa vez em Campinas eu perdi o bonde e isso mudaria minha vida para sempre. Eu era professor numa Escola de Emergência no Jardim das Oliveiras e, para chegar lá, apanhava um bonde até o ponto de ônibus que me levaria ao meu destino. Um dia houve uma pane, o bonde parou e eu tive de descer, bem antes de onde devia. Olhei à minha volta e me vi bem na frente de uma escola Senai, onde se lia, num pequeno cartaz Precisa-se de Professor de Aulas Gerais. E que fosse normalista, bem entendido.  Entrei, e o que veio depois, é parte cardinal do meu currículo. E do que se tornou a minha história.

Desde 1970 minha vida adulta é pautada pela e para a minha carreira no Senai e no Sesi, onde sou chamado “Professor”, o que me dá imenso orgulho.  Nos últimos anos vivi momentos extremos, tanto na vida profissional como na pessoal, que acabaram por me fazer refletir sobre a importância de coisas muito simples, porém, vitais à existência. Ademais, ninguém passa por um infarto sem repensar a própria vida nem sem aprender, de maneira intensiva, e dolorida, o que faltava, ou precisava ainda aprender.

Em 2015 eu aprendi, por exemplo, que o passado passou e que não adianta gastar tempo com ele e, citando Drummond uma segunda vez, que nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Eu reaprendi o valor do amor verdadeiro nas relações entre as pessoas, daquele amor de que fala Paulo em sua carta aos Coríntios. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. E o do amor cantado por Neruda – “é tão curto o amor, tão longo o esquecimento” (…) “Embora seja a última dor que ela me causa, e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo”. Aprendi o valor fundamental da amizade e do afeto dos amigos. Do quanto hoje eu necessito de gente e de viver cercado de pessoas queridas. E ratifiquei o que já sabia sobre o papel transformador da educação na vida de jovens e de adultos e do quanto temos por fazer a esse respeito em nosso país. Perdi o bonde uma vez, a esperança, jamais.

O ano que termina exigiu medidas enérgicas e isso nos deixou – em todos – cicatrizes profundas. Só o tempo e a esperança para curar as feridas e apaziguar os corações, e numa certa manhã, acordarmos renovados, fortes e plenos de novos sonhos.

Hoje, não me sobra mais tempo para o passado, nem para o futuro. Só tenho um presente e eu o vivo, com o mesmo gostinho das amoras comidas com sol na minha infância. Com a alegria com que eu esperava o Natal, quando criança. Com a esperança que sempre trouxe comigo. A vida, de novo, é agora!

E por ser Natal mais uma vez, quero desejar-lhes, caros companheiros, um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de amor, alegria e esperança. Com a minha gratidão por mais esta caminhada juntos. Gente precisa de gente para ser gente! Boas Festas!

Cordialmente,

Walter Vicioni Gonçalves

 

Sobre

Walter Vicioni é diretor regional do SENAI-SP, superintendente do SESI-SP e membro do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.


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