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Blog do Professor Walter Vicioni Gonçalves

Mensagem de Natal e Ano Novo

Publicado em 2 de dezembro de 2013 - 10:14h

Aos amigos e amigas, companheiros e companheiras

Roda mundo, roda-gigante

Rodamoinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração

 Chico Buarque

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Segundo José Saramago, das habilidades que o mundo sabe, essa é a que ele ainda faz melhor: dar voltas! Voltas em torno do sol, voltas em torno de si. Com a mesma precisão, o mundo continua fazendo seu ofício pontualmente e bem feito. A cada giro, lá vamos todos, mudando sempre, sem jamais voltarmos ao mesmo lugar. Quando criança eu gostava de rodar meu pião e imaginar que ele era um planeta. Mas isto fica para outra feita.

Acredito que 365 voltas depois, além de novas histórias para contar, estamos certamente fortalecidos e, ouso dizer, melhores do que quando começamos, graças aos desafios com que nos defrontamos. Além da instalação de novas unidades SESI e SENAI, melhorias nas escolas existentes, novos cursos, novas tecnologias, novas parcerias, programas de capacitação para os docentes SENAI e SESI, levamos conhecimento, aprendizado, excelência, inovação e encantamento por todo o estado, por meio da educação básica, formação profissional, cultura, música, esporte e arte, em todas as suas formas de expressão. Em troca, recebemos carinho, alegria e reconhecimento pelo trabalho feito com o coração e com ética pois assim somos feitos, assim fazemos. Haverá recompensa melhor?

Tais voltas, contudo, não foram exatamente tranquilas; junho chegou frio, enraivecido, desestabilizando uma ordem que se acreditava existir. Estruturas dilaceradas revelaram feridas sociais profundas que evidenciaram o quanto carecemos de tudo. A economia não se portou como esperávamos e indicadores os mais diversos atestam que o país não respira bem. Ao contrário, respira mal, e eu acrescentaria, respira assustado. O Natal há de nos trazer uma trégua, e esperança, certamente.

Às vésperas de completar 91 anos, Edgar Morin abriu uma de suas sempre brilhantes conferências trazendo uma reflexão feita por Immanuel Kant (1724 – 1804) para melhor compreender o mundo em que vivia. Apesar de saber dar suas voltas, nem sempre o mundo foi fácil de entender. Kant, cuja vida foi de dedicação ao estudo e ao ensino, fez-se algumas perguntas que acabaram sendo a alma da fala de Morin naquela noite de julho em São Paulo. O que posso saber? No que posso acreditar? O que posso esperar? O que posso fazer? Perguntou-se o filósofo alemão.

Sem a intenção, nem tampouco a presunção de abordar respostas de ambos a tais indagações (deixo o convite aos amantes da filosofia), apenas desejo tomar emprestadas tais questões para ilustrar minha mensagem de fim de ano aos companheiros que me leem.

Em tempos de interatividade, de mercados editoriais em alta, Internet e redes sociais, podemos saber tudo, ou quase. Todavia, se não soubermos interligar o conhecimento ali disponível, não poderemos resolver os problemas que nos espreitam. Recente pesquisa feita pela consultoria Mc Kinsey – O que os jovens querem da educação brasileira – confirmou aquilo que todos nós já sabemos (e praticamos!) acerca do assunto.

Algumas das respostas dos entrevistados são bastante óbvias: os jovens desejam uma educação que tenha sentido, que aquilo que aprendem na escola tenha utilidade em suas vidas; que os prepare para o mundo do trabalho; que extrapole os muros da sala de aula e, ora, como todos os seres humanos do planeta, desejam que a educação os ajude a se realizarem e a serem felizes. Nada mais justo.

Tenho certeza de que somente a boa educação – de que nosso país tanto necessita – pode ajudar cada um a desenvolver suas melhores competências, seu talento, encontrar um significado para sua vida, concretizar seus sonhos e assim, contribuir para a criação de um mundo melhor. Sempre acreditei que homens de bem procuram outros homens de bem e que juntos podem construir o bem comum. Acredito na capacidade criadora dos homens frente aos grandes desafios e não tenho vergonha de dizer que acredito em final feliz quando tudo é feito com ética, zelo, cooperação, solidariedade, amor, amizade e respeito, valores que reputo cardinais na vida em comunidade, valores que prezamos nas escolas do SESI e do SENAI.

Deste modo, ao fazermos a coisa certa, só podemos esperar um mundo mais justo, uma sociedade mais humana, igual e fraterna para todos. Não somente na noite de Natal, mas em todos os dias de nossas vidas.

Por fim, o que podemos fazer? Jamais perdermos a esperança num mundo melhor, num homem melhor. O trabalho sucessivo e contínuo que realizamos no SESI e no SENAI tem sido nossa resposta ao questionamento dos jovens sobre o que esperam da educação brasileira. Tal qual o mundo, podemos (e devemos) fazer bem todas as coisas, com desvelo, coragem e amor. Devemos fazer o que é certo e aquilo que precisa ser feito, independentemente das circunstâncias. Reza a lenda que, logo após ter assinado o Tratado de Versalhes, que selou a vitória dos aliados na 1ª Guerra Mundial, em 1919, teria Georges Clemenceau dito aos franceses: “A França está para ser refeita. Apressemo-nos”.

Chega de prosa; um pouco de poesia para concluir, até porque sua delicadeza condiz com o espírito natalino. Em outubro de 2013, comemorou-se o centenário de Vinícius de Moraes. Encontrei em seu Poema de Natal (“Antologia Poética”) algo da esperança que tanto buscamos nesses tempos de luzes, sinos, brinquedos e magia. O poeta fala da esperança no milagre, pois para isso fomos feitos, para acreditar que tudo pode ser mudado e que tudo sempre recomeça. E é justamente pelo fim que tudo recomeça; da morte, apenas nascemos, imensamente. Para isso fomos feitos.

E porque para isso fomos feitos, para viver, para celebrar e para agradecer, quero externar minha gratidão a cada um de vocês com quem compartilhei as voltas deste ano que ora termina. Apressemo-nos, companheiros, temos novas e grandes distâncias a percorrer. A todos, os meus votos de Feliz Natal e de um ano novo pleno de realizações, amor, prosperidade e alegria. E de muita esperança, pois, afinal, é ela que nos leva adiante!

Com meu abraço mais cordial,

Walter Vicioni Gonçalves

Sobre

Walter Vicioni é diretor regional do SENAI-SP, superintendente do SESI-SP e membro do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.


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Walter Vicioni Gonçalves

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  1. Com Cristo a vida, o homem, a sociedade poderá encontrar a paz e o equilíbrio. Que este natal seja luminoso para você e os seus. Que as bênçãos deste tempo benfazejo permaneça em todos os dias do ano vindouro. Agradeço sua mensagem com tom provocador e impulsionador.

1 Comentário para "Mensagem de Natal e Ano Novo"