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Blog do Professor Walter Vicioni Gonçalves

Obstáculos para preparar profissionais para os novos empregos

Publicado em 20 de julho de 2018 - 16:52h

“Choca-me ver o desbarato dos recursos públicos para educação, dispensados em subvenções de toda natureza a atividades educacionais, sem nexo nem ordem, puramente paternalistas ou francamente eleitoreiras”
Anísio Teixeira, educador e escritor, em 15/04/1958



Para artigo- porf WalterAtualmente, é fundamental que a indústria brasileira incorpore novas tecnologias em seus processos de produção, para aumentar sua capacidade de competir numa economia globalizada. Para tal incorporação, a formação de profissionais com novos perfis é essencial, mas encontra vários problemas que precisam ser urgentemente superados.

Os obstáculos começam em âmbito governamental. Um deles é a existência do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, do Ministério da Educação, que define a oferta do ensino técnico.

Se uma instituição quiser criar um novo curso, precisa encaminhá-lo ao Ministério de Educação, que recebe propostas periodicamente. Cada solicitação é submetida à apreciação de um Comitê e encaminhada ao Conselho Nacional de Educação, para emissão de parecer, a ser homologado pelo Ministro da Educação e, posteriormente, publicado na forma de resolução.

Dessa forma, o MEC impõe uma burocracia inimaginável numa realidade dinâmica e que exige rápida criação, revisão e atualização dos cursos. Ao invés de facilitar a adequação da oferta de cursos técnicos, as normas vigentes colocam obstáculos e atrasam iniciativas para que as empresas tenham os profissionais com perfil adequado.

Mas há um outro obstáculo ainda mais sério. A formação profissional só cumprirá sua missão, de preparar os profissionais com oportunidades de emprego, se for alicerçada numa sólida Educação Básica.

Os estudos hoje apontam tendência de crescimento dos empregos nas categorias de trabalhos manual e cognitivo não rotineiros. Assim, estão em alta profissões como encanador, confeiteiro, criador de games e outras que trabalham com criatividade aliada a competências técnicas, que podem variar de uma para outra tarefa.

No outro extremo, com tendência de declínio de empregos, estão os trabalhos manuais e cognitivos rotineiros. Quanto mais repetitivos e padronizados, mais fácil sua substituição por processos automatizados.

Levando em conta, então, essas necessidades futuras do mundo do trabalho, os alunos da Educação Básica de hoje precisam compreender e saber aplicar conhecimentos; refletir de forma crítica sobre cada afirmação; encontrar solução para cada problema apresentado. Precisam aprender fazendo, pesquisando, sendo crítico e questionador. Ainda, é importante que trabalhem em equipe e desenvolvam o senso de cooperação.

Diante dessa realidade, é importante investir – como fizemos no SESI-SP e no SENAI-SP – na expansão de uma proposta educacional voltada para uma nova sociedade e para um novo mundo do trabalho.

Chega de gastos em programas pontuais e parciais, descolados da realidade. Chega de constatar perda de recursos, em consequência dos mesmos problemas levantados por Anísio Teixeira há exatos 60 anos. Um mundo em mudança exige uma nova educação.

Walter Vicioni Gonçalves
Diretor do SENAI e Superintendente do SESI do Estado de São Paulo, licenciado até 07/10/2018.

Sobre

Walter Vicioni é diretor regional do SENAI-SP, superintendente do SESI-SP e diretor da Faculdade SESI-SP de Educação. É membro reeleito do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Foi eleito, em 2018, para ocupar a Cadeira nº 36 da Academia Paulista de Educação.


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