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Blog do Professor Walter Vicioni Gonçalves

Por uma ética na educação

Publicado em 2 de junho de 2014 - 16:35h

Artigo publicado na Revista do Projeto Pedagógico 2014 – Diretor Udemo  –  Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo

Hoje em dia, a educação brasileira tem desacertos e contradições que a nossa vã filosofia não consegue compreender, parafraseando o celebrado bardo inglês 

udemoHouve época, até a década de 60 do século passado, em que a escola pública era de boa qualidade e reservada para poucos. Com atraso em relação a outros países também em desenvolvimento, foi iniciado, então, um processo irreversível de democratização do ensino, chegando, atualmente, ao atendimento de 98% da população em idade de ensino fundamental. Uma consequência da expansão da oferta de vagas, sem prévia formação e valorização dos profissionais da educação e de adequação da base física, foi a queda da qualidade do ensino público. As elites da sociedade brasileira passaram, então, a utilizar-se de instituições privadas de ensino, capazes de proporcionar formação suficiente para assegurar, ao término do ensino médio, ingresso nas melhores universidades públicas.

Surge, assim, um perverso contrassenso: os pobres (também nomeados pelo ridículo eufemismo “populações economicamente vulneráveis”) frequentam a escola básica gratuita e só conseguem ingressar, quando conseguem, no ensino superior pago; os ricos pagam por educação básica de boa qualidade e ingressam nas universidades gratuitas. Recentemente, as políticas de cotas para egressos de escolas públicas e para outros segmentos discriminados da população buscam amenizar tais distorções.   

Dentro da sala de aula também se observam estranhas contradições e perplexidades. O professor, que antes da mencionada democratização era social e economicamente valorizado, sofreu profunda transformação no perfil de ingresso e no desempenho da profissão. Antes, havia, por assim dizer, um conspícuo orgulho e enaltecimento social do profissional do ensino.

Havia, também, um compromisso de exercer a docência com dedicação e empenho na formação das novas gerações. Havia, pois, uma ética do magistério, pela qual o professor se norteava em toda a sua trajetória profissional no sentido de formar corações e mentes, segundo os valores e padrões de uma sociedade civilizada. Comas mudanças apontadas de expansão da oferta de educação básica, altera-se, também, o nível e o compromisso dos profissionais do ensino. Há uma visível perda de interesse e de prestígio da profissão.

O professor deixa de ser “modelo” de comportamento e de expressão dos valores e da cultura da comunidade. O atual ambiente de trabalho do professor apresenta adversidades de variadas naturezas: inadequação dos currículos às populações excluídas, falta de apoio didático, instalações precárias e deficientes, ameaças e concretização de violências pessoais etc. Mas, acima de tudo, dada a formação exigida e o grau de responsabilidade da missão, pesa muito na balança a baixa, em certos casos ofensiva, compensação financeira.

Nesse caso, fica perfeitamente coerente que parcela significativa do professorado faz de conta que ensina e os alunos fazem de conta que aprendem. Ou seja, aquela ética de antanho virou de ponta cabeça.

Torna-se absolutamente urgente e estratégico para o país e para a sociedade que um projeto de reforma da educação seja liderado pelo Estado, independente de partidos, ideologias e governos de plantão. Projeto esse que resgate a importância do papel do professor e, consequentemente, recupere e fortaleça a ética de uma educação fundada em ideais e valores de solidariedade humana, de honestidade, de respeito mútuo, de proteção da coisa pública, de cidadania e de democracia.

Essa ética pode ser representada pelas faces de uma moeda: de um lado, há o compromisso do professor de exercer com dedicação a profissão e a arte de ensinar e, de outro, há o direito, constitucionalmente assegurado, da criança e do jovem de aprender. Isso tudo requer, ao mesmo tempo, uma renovação radical no processo de gestão da escola, cujo diretor é, indiscutivelmente, o fator de dinamização e manutenção do processo de mudança.

Dessa forma, estaremos viabilizando um desejo de toda a sociedade, ou seja, o de fazer com que a excelência de ensino que, no passado, era reservada a poucos, seja estendida a todos.

 

Walter Vicioni Gonçalves

          Diretor Regional do SENAI-SP, Superintendente do SESI-SP e membro titular do Conselho Estadual de Educação de São Paulo

Sobre

Walter Vicioni é diretor regional do SENAI-SP, superintendente do SESI-SP e membro do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.


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Deixe o seu comentário!

  1. Paulo Eurotildes Rodrigues disse:

    Lider do conhecimento em nossa educação.

  2. JADIR ANTONIO SIMEI disse:

    Prof. Walter, parabéns pelo seu trabalho incessante na melhoria do nível educacional da população brasileira. Somente através da Educação qualquer sociedade organizada promoverá a sua própria libertação e autonomia.

  3. Andrea Bertolani disse:

    Tudo que acredito, tudo que desejo.

  4. Andrezza Cristina Furlanetto Zequim disse:

    Prof. Walter, mais um artigo maravilhoso ! Parabéns e continue sempre nos oferecendo o prazer de ler suas belas palavras!!!!

  5. Silvia Mello disse:

    Ótima colocação, professor! Eu penso exatamente do mesmo modo. Dou graças por ter lecionado nessa época em que o professor era um exemplo de dedicação e retidão de caráter. Um abraço, Silvia.

  6. Andréa Possatto Previatto Silva disse:

    Acredito em novas personalidades para trabalhar num projeto de reforma educacional, através do qual as políticas públicas educacionais valorizem e proporcionem formação continuada e qualitativa para os gestores das escolas. Um exemplo de ação concreta é o curso de Pós Graduação – MBA – Gestão em Educação – empreendedorismo – ministrado pela Universidade Federal Fluminense Uff/RJ em parceria com o SESI-SP que oportuniza especialização de qualidade para diretores das escolas públicas do Estado de São Paulo.
    Educadores como o Prof. Walter Vicioni Gonçalves tem potencial para fazer a diferença em propostas educacionais lideradas pelo Estado.

  7. Edmilson José Smaniotto disse:

    O Brasil precisa entender de uma vez por todas, que com uma educação de qualidade podemos ter um país melhor. Precisamos de defensores no congresso para alvancar essa ideia.
    Parabéns Prof.Walter Vicioni pelo artigo.

  8. Tânia Sueli Oliveira disse:

    Parabéns!!! A ética é fundamental em quaisquer profissões, mas poucos sabem ou aplicam. Parabéns !!! Adorei !!! Abraço e sucessos…(sou professora e tenho esperanças de que a ética seja aplicada e exercida para que cada cidadão se sinta respeitado e não desacredite na educação).Precisamos da “prática” e não só achar linda a teoria :)

  9. Carlos Alberto Delli Colli disse:

    Observa-se que neste sentido de moralização o desafio é grande e a longo prazo, mas é preciso começar.

  10. Sueli Aparecida Viegas Macedo Silveira disse:

    Sr Walter, como precisamos de mais pessoas que pensam como o Sr´. Estou no magistério há 30 anos, e observo como está dificil trabalhar, por todos os motivos que o senhor escreve neste artigo, mas não desisto, pois está geração esta geração tão informatizada, deixou de ser pessoas pensantes, tem tanta tecnologia, mas não usam para adiquirir conhecimentos. Adoro seus artigos, parabéns.

  11. José Carlos Alves de Oliveira disse:

    Caro Prof., corroborando com sua reflexão acerca da educação no Brasil, não por acaso vimos esta semana pesquisa divulgada que assevera que mais de 50% dos estudantes das universidades públicas têm condições de arcar com eventual custeio de seus estudos, o que demonstra severos equívocos na condução de nossa política educacional.
    Enquanto não surgir um estadista com foco efetivo na melhoria da educação do país, sem elos políticos escusos, não mudaremos o rumo da nação.

  12. Eliana Misko Soler disse:

    Parabéns pelo artigo! Prof. Walter, você tocou no ponto: “Projeto esse que resgate a importância do papel do professor e, consequentemente, recupere e fortaleça a ética de uma educação fundada em ideais e valores de solidariedade humana, de honestidade, de respeito mútuo, de proteção da coisa pública, de cidadania e de democracia.”

  13. João Eduardo Remaeh disse:

    Parabens Prof. Walter, por mais este artigo. Espero que este cenário realmente mude e que possamos ter uma educação de excêlencia.
    Fique com Deus… e que Ele continue sempre te iluminando.
    Um forte abraço, João Eduardo Remaeh

  14. Ana Maria Ferlin disse:

    Prof. Walter.
    Mais uma vez uma reflexão extremamente consistente.Numa gestão participativa, todos os envolvidos no processo educacional sentem-se realmente compromissados com a arte de ensinar e a garantir o direito constitucional que crianças e jovens tem de aprender.
    Nos represente nessa nova empreitada de sua vida.
    Abraços e sucesso!

  15. Elaine Cristina Rizzuto Cruz disse:

    Prof. Walter Vicioni Golçalves:
    Apoio plenamente o seu apelo por um olhar diferenciado e qualificado para a educação! Não somente nós professores, mas também os alunos necessitam de uma posição urgente, por parte do Estado, para que a educação seja realmente a ferramenta propulsora e funcional de um crescimento para o país (ávido por mudanças e transformações).
    Os professores precisam recuperar o brilho nos olhos ao poder ensinar tudo o que planejam, e com reconhecimento. E os alunos, recuperarem o interesse e a ânsia de conhecer o mundo, certos de que este conhecimento será valorizado para escalarem novos rumos e ajudar a construir a justiça.

  16. Veridiana Peron disse:

    “Fortaleça a ética de uma educação fundada em ideais e valores de solidariedade humana, de honestidade, de respeito mútuo, de proteção da coisa pública”
    É o que precisamos. Parabéns pelo artigo.

  17. Lucilene Rodrigues Silva disse:

    Professor Walter. Muito me orgulha e me inspira as suas palavras. Grande é a responsabilidade que me cabe como gestora da escola. Acredito muito em tudo o que escreveu. Parabéns mais uma vez!

  18. Temos que trabalhar a cada dia mais, para fazer da EDUCAÇÃO a base para um Brasil melhor, e isso o Prof. Walter tem feito com muita determinação e amor pela EDUCAÇÂO.

  19. Júlio Martins disse:

    Permita-me sugerir também que o projeto de reforma da educação deva considerar na ética educacional, que não podemos ter um currículo que pretende ensinar alunos nativos digitais com conteúdos analógicos, descontextualizados, num ambiente cúbico e limitado, numa comunicação unilateral e passiva enquanto que com um simples celular acessam as redes sociais e as fronteiras são praticamente infinitas, a comunicação é ativa e igualitária e os tornam (alunos) agentes construtores de seu tempo. O professor, o ambiente, o currículo devem ser inovados para atender um novo público em uma nova sociedade em constante transformação.

19 Comentários para "Por uma ética na educação"