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Blog do Professor Walter Vicioni Gonçalves

Uma homenagem aos italianos de São Paulo

Publicado em 10 de janeiro de 2014 - 15:47h

 “Conquanto um artigo de folha genovesa diga que a colônia italiana acabará por absorver a nacionalidade brasileira, eu não dou fé a tais prognósticos; mas quando italianos nos absorvessem, seriam outros, não seriam já os mesmos.”

Machado de Assis, “A semana” – coluna publicada na Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, em 18/10/1896.

arte para blog

São Paulo: 460 anos de história. Uma história rica, que certamente orgulha a todos os que aqui nasceram e a todos os que se tornaram cidadãos paulistanos por opção.

Adotaram São Paulo, como terra para viver e criar seus filhos, migrantes vindos da Bahia, Ceará, Minas Gerais e tantos outros estados brasileiros, bem como imigrantes vindos da Itália, Japão, Alemanha, Coreia e muitos outros países, dos vários continentes. Embora São Paulo tenha assimilado em sua cultura e no seu cotidiano contribuições de todos, pode-se destacar a imigração dos italianos, entre as que deixaram marcas profundas e indeléveis na história da cidade.

Embora fundado em 1554, o município só começou a ter expressão no início do século XX. Nesse sentido, passou de 31.385 habitantes em 1872 e 64.934 em 1890 para 239.820 em 1900 e 579.033 em 1920. Nessa expansão incrível, está incluído número expressivo de imigrantes. Assim, do total de habitantes em 1920, 205.245 (35,4%) eram estrangeiros. Entre eles, a presença dos italianos era significativa.

Franco Cenni, no livro Italianos no Brasil: Crônica e Épica da Emigração Italiana, reproduz a fala de um visitante mineiro ao chegar a São Paulo, em 1902: “Os meus ouvidos e os meus olhos guardam cenas inesquecíveis. No bonde, no teatro, na rua, na igreja, falava-se mais o idioma de Dante que o de Camões. Os maiores e mais numerosos comerciantes e industriais eram italianos. Os operários eram italianos”.

Também Franco Cenni ressalta a crescente importância do italiano na sociedade paulista, ao reproduzir a fala do Deputado Samuel Malfatti na Câmara dos Deputados, durante discussão de um projeto de alteração da legislação educacional no Estado de São Pulo: “Acho que deve ser incluído o ensino da língua italiana, cuja necessidade, além de ser justificada pelo grande número de italianos que povoa nosso estado e pelas importantes relações que mantemos com a pátria italiana, é ainda comprovado pelo fato que a literatura italiana nos fornece um grande subsídio, do qual aproveitam os estudantes de nossa Faculdade de Direito e de outros Institutos de Instrução”. Em decorrência, no dia 7 de agosto de 1893, é promulgada a Lei nº 169, que acrescenta o italiano como uma língua que pode estar entre as matérias do curso dos ginásios, durante os seis anos de sua duração.

Em contrapartida, os italianos e seus descendentes logo incorporaram o português como principal língua. No censo de 1940, apenas 8,7% dos italianos residentes em São Paulo responderam que “não falavam correntemente o português”. Nesse momento, porém, a comunicação italiana, expressão de sua cultura, já estava fortemente incorporada na cidade e sua influência perpetuava-se, apesar de já se sentir então o forte decréscimo do fluxo migratório da Itália para o Brasil.

Em todas as formas da arte, há expressiva presença dos italianos e de seus descendentes. Entre eles, destacam-se Alfredo Volpi – pelas suas pinturas, que retratam cenas da vida e da paisagem de São Paulo – , e Victor Brecheret – reconhecido por suas esculturas, especialmente para locais públicos, fachadas e baixos-relevos.

Óperas e canto lírico trazidos por artistas da Itália podiam ser assistidos no Teatro Municipal, edifício construído no período de 1903 e 1911 pelo arquiteto Ramos de Azevedo e pelos italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi. Ainda no campo da arquitetura, podemos lembrar a construção prédio Martinelli, em 1929, primeiro arranha-céu da cidade.

É forte a influência também da cultura jurídica italiana nos cursos de Direito, principalmente nas áreas de filosofia do direito, direito civil, penal e teoria do Estado.

Na área econômica, os italianos destacam-se especialmente no início da industrialização de São Paulo, sendo seu expoente Francisco Matarazzo, com seu grande complexo de empresas.

Bairros inteiros de São Paulo preservam as festas e tradições típicas da imigração italiana do século XIX, época em que foram formados o Brás, a Mooca e o Bixiga.

Tantos outros aspectos, nomes e tradições poderiam ser ressaltados, nesse processo de italianizar o espaço de São Paulo e de apaulistar os descendentes dos imigrantes italianos. Mas, os citados já deixam clara a grande participação dos “oriundi” na transformação da pequena São Paulo do início do século XIX na grande metrópole multicultural do século XXI.

E assim, pedimos vênia aos descendentes dos imigrantes e migrantes de outras origens para prestar uma justa homenagem à colônia italiana, comemorando o aniversário de São Paulo com polenta e frango no almoço e pizza no jantar, enquanto revemos capítulos da novela “Os Imigrantes”, de 1981, “Terra Nostra”, de 1999 ou “Esperança”, de 2002. Ao término do dia 25 de janeiro, vamos nos despedir de nossos amigos dizendo ciao – ou melhor, tchau – com um sonoro sotaque paulistano.

  Walter Vicioni Gonçalves

Diretor Regional do SENAI-SP, Superintendente do SESI-SP e membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo

Sobre

Walter Vicioni é diretor regional do SENAI-SP, superintendente do SESI-SP e membro do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.


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Deixe o seu comentário!

  1. Julio Cesar de Souza Martins disse:

    Parabéns, Bela lembrança e reconhecimento do povo Italiano.

  2. jonas duarte fernandes disse:

    É muito bom mantermos o respeito as nossas orígens, mantermos as tradições e nessas tradições existem muitos conhecimentos que precisamos mante-los, pois, são de valores extremamente importantes para o progresso e sustentação de uma sociedade adequada para vivermos.

  3. teresa GENTILE disse:

    Avevo solo tre anni quando, nella scuola rurale dove insegnava mio padre, Egidio Gentile, nell’agro di Martina Franca, ascoltai per la prima volta la canzone dei nostri emigranti anche italiani “Santa Lucia”.. Ricordo che però mi commossi solo quando, in una gelida sera di dicembre, a cantarla furono i contadini che frequentavano il corso di scuola serale, sempre tenuto da mio padre, per imparare a leggere e scrivere. Notai tanta malinconia nei loro occhi orlati di lacrime. Molti tra loro erano stati emigranti….proprio in Brasile, ..tanti avevano da tanto perso ogni contatto con i figli partiti per terre lontane……ed allora non c’era il telefono e per far leggere le lettere ricorrevano al loro maestro ……..ma forse,in quel tempo…….. si era più capaci di AMARE. Mi sono nuovamente emozionata, nel profondo del mio cuore, quando, dopo tanti e tanti anni , come per incantesimo, mi sono ritrovata a cantare tali soavi parole con l’instancabile operatrice culturale Ana Stoppa , giunta in Provincia jonica per un gemellaggio culturale, Cancellando ogni limite di spazio e tempo in un flusso luminoso d’armonia,NON INTERROTTO NEMMENO dal mio non saper parlare la vostra lingua. Eppure qualcosa nel dna vibra, è come riscoprire echi di una vita lontana custodita nei meandri del cuore. Stesse sensazioni ho provato leggendo questo articolo meraviglioso, denso di verità e giusto omaggio ai nostri avi-emigranti, autentici e mai fragili EROI del quotidiano. Emigrare era per loro come MORIRE agli affetti, alla terra natia…..ma era giusto per loro farlo per conquistare la dignità di un lavoro e dar certezze alle famiglie. GRAZIE

  4. Sebastião Nato Machado disse:

    Quão grande e importante foram os italianos na época da imigração e também para nós senaianos, e muito bom revivermos momentos como estes citados que nos afetaram diretamente na estruturação da Escola SENAI Theobaldo de Ngris, boas lembranças. Parabens, Prof. Walter.

  5. Divanilde Milani disse:

    Bela homenagem e, como sempre, bem redigida pelo prof. Walter. Gosto muito de seu estilo.

  6. MARCELO MARTILIANO disse:

    Uma ótima mensagem, em que nós somos parabenizados por conhecer mais da história de nossa cidade, mais de quem fez parte desta história, com sua importante contribuição.

  7. Fabricio Bressani disse:

    Importante resgatar a história das nossas origens e miscigenação.

  8. Cybele Giorgi disse:

    Walter

    Como pura descendente, parabenizo você pelo lembrança.

  9. Eduardo Pinto Monteiro disse:

    Muito boa e mensagem. “Buon Compleanno” Sao Paulo.

  10. nacim chieco disse:

    Prezado professor Walter: Muito bom o artigo sobre a notável presença italiana em São Paulo. Além dos nomes mencionados no seu texto, valeria lembrar, pelo menos, duas figuras marcantes da cultura ítalo-paulistana: João Rubinato ou Charutinho ou Adoniran Barbosa, criador do antológico “Trem das onze”, e Juó Bananére, irreverente autor de “La divina increnca”.

  11. M. Gava disse:

    Prof. Walter

    Muito oportuna a lembrança e homenagem aos italianos e seus descendentes que muito contribuiram e, ainda, contribuem para o progresso de nossa cidade.

  12. Maria Luiza Semple disse:

    Parabéns Prof. pelo rico artigo! Viva a diversidade deste pais. Um abraço.

  13. Voltarelli disse:

    Em nome de meus antepassados: Muito Obrigado pela justa homenagem ao povo italiano.

  14. Airton Coltro Botas disse:

    Tenho pouca influência de italianos, embora seja neto materno e paterno deles, mas os tradicionais italianos devem sentirem-se honrados com tamanha homenagem e lembrança, e mais, vinda de expressiva figura dentro da nossa educação.
    Parabéns prof. Walter.

  15. José Carlos Imbriani disse:

    Prezado Prof. Walter,
    Como descendente, palestrino e legítimo representante da Mooca, agradeço a homenagem prestada.
    Meu pai era Imbriani, minha mãe era Brunelli.
    A minha mulher é Amendola Imbriani e a mãe dela era Perini Amendola.
    As minhas filhas são Amendola Imbriani.
    Siamo tutti oriundi!

  16. Manoel Bononato Muñoz disse:

    Profº Walter
    Meus parabéns pela boa lembrança das origens dos empreendedores de inúmeras iniciativas em nossa querida São Paulo. Gostaria de aproveitar o momento para lembrar dos “italianos” que junto com dirigentes e outros profissionais do SENAI sob o comado do então Pres. da FIESP Theobaldo De Nigris e com a colaboração do saudoso artista plástico Odetto Guersoni junto com os demais técnicos que vieram montar o então Colégio Industrial de Artes Gráficas, com os quais tive a honra de ser seu aluno: Gian Mario Mocagata, Felice Frescarollo, Ernesto Mina, Sérgio Vay, Bruno Cialone e Lorenzo Baer. Posso até dizer que a 1.14 teve uma grande pedra fundamental lançada – o conhecimento e a dedicação destes amicci.
    Parabéns
    O reconhecimento alimenta nossa alma.

  17. André Luís Martins da Silva disse:

    Prof. Walter, com certeza a imigração italiana contribuiu significativamente para o desenvolvimento social, político e econômico desta metrópole e do pais. Todos somos um pouco italianos. Parabéns pela justa homenagem.

17 Comentários para "Uma homenagem aos italianos de São Paulo"